Chegou o inverno.

E com ele aquela esperança anual — quase de torcida esportiva — de que dessa vez, depois de cinco anos, vamos finalmente ver o chão das ruas se pintando de branco. Jornais anunciam a possibilidade como se fosse um cometa que passa a cada oitenta anos; quem mora aqui e não vê acontecer há algum tempo já cultiva uma desesperança familiar. Entre as duas coisas fica algo muito parecido com o que sentimos hoje com a Copa: essa chama interna de ir contra o que é lógico e mais provável, sustentada por uma fé muito verdadeira. Sabemos que é possível. Só não é garantido.

Tem certa beleza nisso. Não é diferente do que qualquer crença faz conosco — o crer sem ver. É importante ponderar as próprias expectativas, claro, mas que graça teria viver de forma tão robótica? Seja futebol, religião ou floquinhos caindo do céu, a fé tem um papel engraçado e muito poderoso em como nos enxergamos como sociedade. Por aqui vamos ficar torcendo pela água congelada — e por uma taça que, apesar de vazia, é recheada de esperanças.

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